Serviços financeiros para pessoas físicas e conflito de interesses.
Uma combinação inevitável ou uma separação necessária?
Este texto é escrito a partir de alguns eventos no último Congresso da PLANEJAR em 2018, ocasião na qual algumas pessoas convidadas a estar no palco do evento declararam que o conflito de interesses existe em nossa atividade (e eu concordo com isso) e que é impossível não existir (discordo veementemente). Ainda, segundo o racional apresentado, o que importa é deixar tudo claro para o cliente.
Será que deixar claro resolve o problema do conflito de interesses? Será que deixar claro é o suficiente?
E a questão derradeira: será que existe algum modelo sem qualquer conflito de interesses?
Este é o (polêmico) assunto deste texto.
Antes, para que não haja ruído algum, uma palavra de reconhecimento a PLANEJAR pelo Congresso de 2018. Organizar algo com tamanha envergadura não é feito comum, ainda mais com uma equipe reconhecidamente enxuta, mas que compensa a baixa quantidade com a alta qualidade de entrega.
Estimo que em eventos futuros haja mais espaço para planejadores independentes e não apenas para palestrantes pagantes, mas sabemos que isso é do avanço e da maturidade da indústria como um todo.
E então chegamos a questão do conflito de interesses... Esta é uma das poucas questões no mundo financeiro que podem ser discutidas com o privilégio do ”preto no branco”. Ou há, ou não há. Não há “mais um menos” nesta agenda.
É existente, claro e notório à todos na indústria que há o conflito de interesses quando a remuneração é qualquer uma que não seja aquela originada apenas do bolso do cliente para o bolso do planejador financeiro de forma direta!
Antes de entrar no detalhe de cada conflito de interesses, proponho 3 imagens que explicam o fluxo do dinheiro quando há conflito de interesses e o fluxo de dinheiro quando este é inexistente.

Sempre que a remuneração ao profissional não for feita diretamente e exclusivamente pelo cliente há um conflito de interesses.
Exemplo geral:
Este exemplo geral se aplica a grande maioria das relações transacionais que existem em nosso mercado. Podemos até atribuir à estas relações transacionais características e nomes consultivos ou de aconselhamento, mas todos sabemos que o que vale mesmo é a transação e cada um aqui deve construir a sua conclusão acerca de qual produto será mais atraente “para o cliente", um que paga X% ou um que paga 0,1X%...
Um modelo que busca se apresentar como um sem o conflito de interesses... Mas não consegue:

Aqueles que atuam neste modelo argumentam que o % sobre os ativos sob gestão (%AuM) são apenas uma forma de remunerar o profissional no modelo direto. Eu concordo com isso, mas isso não exime este modelo do conflito de interesses e por 2 motivos.
Deixa eu lhe mostrar cada um deles.
Este motivo traz para análise o real efeito da cobrança de um percentual sobre os ativos do cliente.
Situação:
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